segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entenda um pouco mais sobre a proibição da ANVISA á comercialização de produtos á base de Aloe Vera para consumo por via oral.




Alimentos milagrosos, sucos infalíveis, compostos mágicos que curam inúmeros males são os produtos mais desejados e procurados para questões como perda de peso, ação anti-envelhecimento, imunoproteção, cura de doenças crônicas, entre outros.... 
(Clique em MAIS INFORMAÇÕES para ler esta matéria na íntegra)


E o mercado lança periodicamente produtos com promessas tentadoras, através da mídia, de celebridades, propagandas, entre outros.

E quem acaba se prejudicando com isso é o consumidor final, que acredita em todas essas promessas e consome esses produtos sem saber se essas promessas realmente são verdadeiras, e se o produto é comercializado de acordo com a legislação.

Em primeiro lugar, a Aloe Vera, mais comumente chamada de babosa, tem inúmeras espécies.

Para o consumidor, todo produto natural é sinônimo de bem estar e qualidade de vida, mas nem sempre esta afirmação é correta. Por isso, novas evidências levam á revisão desses hábitos.

Segundo o documento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no Brasil, produtos à base de Aloe vera de uso tópico estão autorizados como fitoterápico para cicatrização. No entanto, não há registro de medicamento a base de Aloe vera para uso oral.



O que são novos alimentos?

·         são aqueles sem tradição de consumo no país,
·         que contenham novos ingredientes,
·         contendo substâncias já consumidas e que, entretanto venham a ser adicionadas ou utilizadas em níveis muito superiores aos atualmente observados nos alimentos que compõem uma dieta regular.

Apesar de a Anvisa não registrar ingredientes alimentares, a segurança dos “novos ingredientes” deve ser comprovada com base na Resolução n. 17/1999, por meio do encaminhamento de documentação técnico-científica à Anvisa.

É por isso que a ANVISA publicou no dia 16 de Novembro de 2011, seu parecer em relação á comercialização de Aloe Vera na área de alimentos.
Esse documento tem objetivo de informar sobre a ausência de comprovação da segurança de uso de produtos à base de Aloe vera como alimento e dar subsídios às ações de vigilância sanitária relacionadas a esses  produtos.

A Anvisa já analisou petição de registro de alimento a base de Aloe vera, mas a documentação científica apresentada foi insuficiente para demonstrar a segurança de uso. Além disso, os artigos científicos constantes da petição traziam efeitos medicamentosos para a Aloe vera e não ação da Aloe vera como alimento.

 Assim, a petição foi indeferida e até o momento não há produtos a base de Aloe vera aprovados na área de alimentos.

Além da Aloe Vera, outro produto também foi proibido de ser comercializado no Brasil. O suco Noni, que também oferecia soluções milagrosas para diversas doenças prometendo até a cura de câncer.

Atualmente não há produtos a base de Aloe vera aprovados na área de alimentos pela Anvisa, visto que as evidências científicas encaminhadas foram insuficientes para comprovar a segurança de uso. Ademais, observa-se ausência de estudos toxicológicos adequados, bem como falta de padronização ou especificação adequada do ingrediente. Apesar de haver histórico de consumo como fitoterápico, esse está limitado ao uso tópico.

A toxicologia da Aloe vera ainda não foi sistematicamente estudada. Os estudos toxigenéticos são importantes na investigação de provável indução de danos genéticos.

Sabe-se que tanto o antraceno como a antraquinona, compostos presentes na Aloe vera, são mutagênicos (agente físico, químico ou biológico que, em exposição às células, pode causar mutação) de acordo com o teste de Ames (Sturbele et al., 2010).
Além disso, Silveira et al. (2008) comentam que a Aloe vera apresenta produtos de biotransformação potencialmente tóxicos, assim não possuem efeitos somente imediatos e facilmente correlacionados com sua ingestão, mas também efeitos que se instalam em longo prazo e de forma assintomática, podendo levar a um quadro clínico severo, algumas vezes fatal.

Observou-se que uma dose dez vezes mais concentrada do que a dose usual  provocou um efeito citotóxico e mutagênico e, portanto, essa concentração não foi utilizada em células humanas.


De acordo com vários Pesquisadores, em seus estudos, o uso de compostos orais de Aloe vera que são derivados antracênicos (drogas purgativas irritantes) podem causar:

  • ·         alterações morfológicas no reto e cólon, tais como fissuras anais, prolapsos hemorroidais e outras alterações que não regridem espontaneamente, exigindo intervenção cirúrgica.

  • ·         processos inflamatórios e degenerativos, com risco de redução severa do peristaltismo, o que pode conduzir a atonia (perda do tônus muscular intestinal).

  • ·         os efeitos adversos observados com o uso de produtos contendo antraquinona não se limitam ao trato gastrointestinal os efeitos geram:

  • ·         Hepatotoxicidade

  • ·         Hipotireoidismo

  • ·         Nefrotoxicidade


Em todos os casos, a descontinuação do uso dos produtos de Aloe vera, levou á normalização dos níveis de enzimas hepáticas, níveis hormonais, e melhora na função renal.
  
Portanto, segundo a ANVISA, as evidências científicas avaliadas até o momento não comprovam a segurança de uso
dos produtos contendo Aloe vera como alimento. Em virtude dos diversos relatos de casos adversos, a utilização de Aloe vera como alimento ou ingrediente alimentar necessita de criteriosa avaliação de sua segurança previamente a comercialização

Portanto, com o intuito de proteger e promover a saúde da população, os produtos contendo Aloe vera não devem ser comercializados no Brasil como alimento até que os requisitos legais que exigem a comprovação de sua segurança de uso sejam atendidos.

Abaixo, faça o donwnload do documento na íntegra da ANVISA:


Além disso, o Bistrô disponibiliza Abaixo um artigo sobre a utilização de Aloe Vera como alimento, Publicado em 2010 


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Texto Elaborado por : 


Ticiane Gonçalez Bovi - Nutricionista - CRN3: 27299
Ana Carolina Assad - Nutricionista - CRN3: 27893


Colaboração de: 
Marina Padilha - Nutricionista
CRN 29015/P

Especialista em Nutrição em Pediatria - Unicamp
Mestranda em Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica